Португальский Медицина
06.07.2026 Читать источник
Португальские семьи потратили 8,8 млрд евро на медицину в 2025 году

Прямые расходы португальских домохозяйств на здравоохранение выросли на 4,4% в 2025 году, достигнув 8,8 млрд евро. Несмотря на замедление темпов роста по сравнению с предыдущим годом, доля этих затрат в бюджете семей остается высокой, особенно для малообеспеченных граждан.
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As despesas pagas diretamente pelas famílias portuguesas em bens e serviços de saúde voltaram a aumentar no ano passado, embora a um ritmo mais moderado. Em 2025, os agregados familiares gastaram mais de 8,8 mil milhões de euros em saúde, mantendo este tipo de encargos perto dos 5% da despesa final de consumo.
De acordo com o Jornal de Negócios, os dados da Conta Satélite da Saúde do Instituto Nacional de Estatística mostram que os pagamentos diretos das famílias cresceram 4,4% em 2025. O ritmo representa uma desaceleração face aos 7,3% registados no ano anterior e é o mais baixo desde 2020, ano marcado pelos primeiros confinamentos da pandemia e por uma menor procura de cuidados de saúde.
Apesar do abrandamento, o peso destas despesas no orçamento das famílias não recuou. Pelo terceiro ano consecutivo, os gastos diretos em saúde representaram 4,9% da despesa final de consumo, um nível acima da média de 4% registada desde o início do século até ao período anterior à pandemia.
SNS reforça cobertura, mas famílias ainda suportam mais de um quarto da despesa
A evolução ocorre num contexto em que a despesa pública em saúde continuou a crescer de forma expressiva. O Serviço Nacional de Saúde e os Serviços Regionais de Saúde reforçaram a sua cobertura, passando a assegurar 55,5% dos gastos totais em saúde no país.
Ainda assim, mais de um quarto da despesa total com medicamentos, consultas, cuidados, equipamentos e outros serviços de saúde continua a sair diretamente do rendimento disponível das famílias. Em 2025, essa fatia fixou-se em 27,8% da despesa total.
Segundo o Negócios, Portugal tem-se destacado na União Europeia pelo peso elevado da chamada despesa “out-of-pocket”, isto é, valores pagos diretamente pelos utentes. Em 2023, com uma proporção de 4,9% da despesa final de consumo, Portugal era o quinto país da União Europeia onde estes encargos tinham maior peso nos orçamentos familiares.
A proporção da despesa direta em saúde no rendimento disponível bruto das famílias também se tem mantido elevada. Entre 2014 e 2024, esteve sempre acima dos 4%, de acordo com os dados do INE referidos na notícia.
Farmácias concentram um quinto dos gastos diretos
Os dados mais detalhados disponíveis, relativos a 2024, mostram onde as famílias mais gastam quando pagam saúde do próprio bolso. As farmácias concentram um quinto da despesa direta, sendo a principal rubrica destes encargos.
Seguem-se os cuidados hospitalares, com 13,9%, outros cuidados especializados, com 13,8%, e os dentistas, com 12,3%. Estas áreas representam uma parte significativa da pressão financeira sentida pelos agregados familiares no acesso a bens e serviços de saúde.
Entre as despesas que mais cresceram em 2024 estiveram os hospitais psiquiátricos, com um aumento de 57,2%, os exames e análises, com uma subida de 12,6%, e os cuidados domiciliários, que avançaram 11,8%.
Seguros, subsistemas e impostos completam financiamento da saúde
A despesa direta das famílias é apenas uma das componentes do financiamento da saúde. A ela somam-se os bens e serviços assegurados publicamente através de receitas de impostos, bem como os gastos cobertos por seguros de saúde e por subsistemas públicos ou privados.
Os seguros de saúde, cujos prémios são igualmente pagos pelas famílias, representaram 5,3% do total da despesa em saúde. Já os subsistemas de saúde, dependentes de contribuições, corresponderam a 5,5%, com destaque para a ADSE.
Este conjunto de fontes de financiamento mostra que, mesmo quando os pagamentos não são feitos diretamente no momento de acesso aos cuidados, uma parte relevante dos encargos continua a recair sobre os rendimentos das famílias.
Fragilidades no SNS transferem encargos para os utentes
No relatório sobre o desempenho do SNS em 2025, o Conselho das Finanças Públicas alertou para o impacto das dificuldades de acesso e resposta do sistema público. Segundo o organismo, as fragilidades do SNS acabam por transferir encargos para as famílias.
O aviso surge num contexto de pressão crescente sobre a despesa em saúde, associada ao envelhecimento da população e ao aumento dos custos com inovação em medicamentos e equipamentos.
O Conselho das Finanças Públicas sublinhou ainda que os pagamentos diretos são a componente mais regressiva do financiamento da saúde, por não estarem ligados à capacidade contributiva. Na prática, isto significa que as famílias com rendimentos mais baixos enfrentam maior dificuldade para suportar estes encargos.
A análise mais recente da OCDE, citada no texto, mostra que, em 2022, 5,8% das famílias mais pobres em Portugal gastavam em saúde mais de 40% do orçamento disponível para consumo depois de pagarem habitação, alimentação, eletricidade, gás e água.
Saúde continua a pesar nas contas familiares
O abrandamento do crescimento da despesa direta em saúde não eliminou a pressão sobre os orçamentos familiares. Os pagamentos feitos diretamente pelos utentes continuam acima dos níveis registados antes da pandemia e mantêm Portugal entre os países europeus onde este tipo de encargos tem maior peso.
Com mais de 8,8 mil milhões de euros pagos diretamente pelas famílias em 2025, a saúde permanece como uma das áreas de despesa mais sensíveis para os agregados familiares, sobretudo para os que têm menor rendimento e menor capacidade de absorver custos inesperados.
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