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27.08.2026 Читать источник
RNP предлагает модель совместной инфраструктуры для вузов после аудита ТКУ

Руководство RNP представило план по объединению вычислительных ресурсов и центров данных в федеральных университетах для снижения затрат и устранения фрагментации инвестиций. Предложенная модель с участием самих вузов в управлении призвана решить проблемы, выявленные в ходе аудита Счетной палаты.
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RNP propõe infraestrutura compartilhada para universidades após alerta do TCU
Modelo apresentado por Antônio Carlos Fernandes Nunes e Lisandro Granville combina centros de dados, serviços compartilhados, governança das instituições e federação de recursos computacionais
A Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) defende ampliar o compartilhamento de infraestrutura, serviços e capacidade computacional entre universidades e institutos federais como forma de obter escala e reduzir a fragmentação dos investimentos em tecnologia. O modelo foi detalhado pelo engenheiro e mestre Antônio Carlos Fernandes Nunes, Diretor de Serviços e Soluções da RNP, e o professor doutor Lisandro Granville, Diretor-Geral da RNP, em entrevista ao Tele.Síntese, nesta quinta-feira, 27, durante o Fórum RNP 2026 e pode auxiliar no enfrentamento de problemas identificados em auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre a operação de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) nas instituições federais de ensino.
As propostas incluem Centros Nacionais de Dados, compartilhamento de custos, contratação em escala, governança com participação das instituições, serviços comuns de segurança e armazenamento e uma infraestrutura federada para acesso a GPUs, supercomputadores e processamento de alto desempenho.
O TCU avaliou o modelo de TIC de 110 instituições federais de ensino, sendo 69 universidades e 41 institutos federais. A auditoria operacional analisou governança, pessoal, orçamento, sistemas e infraestrutura e buscou verificar se a estrutura existente é sustentável para os serviços necessários ao ensino, à pesquisa, à extensão e à gestão universitária. Foram obtidas respostas de 106 instituições, além de entrevistas com gestores e representantes da Andifes e do Conif.
A despesa de TI planejada para universidades e institutos federais somava R$ 197 milhões em 2024, conforme os dados utilizados pelo Tribunal.
TCU encontra fragmentação da infraestrutura
Entre os problemas identificados pelo TCU está a fragmentação da operação de TIC. O Tribunal apontou a manutenção de estruturas, sistemas e processos de contratação pelas instituições de forma individual, com baixo aproveitamento de recursos comuns.
O diagnóstico encontrou 225 data centers distribuídos entre 110 instituições, além da repetição de processos licitatórios para objetos semelhantes. Na avaliação do TCU, a ausência de coordenação reduz a possibilidade de economias de escala e aumenta custos operacionais.
O Tribunal, no entanto, não determinou uma centralização indiscriminada. O relatório reconhece expressamente a autonomia das universidades e institutos federais e afirma que a fragmentação não constitui, por si só, desvio de conduta. Ela decorre de um modelo descentralizado no qual não existem mecanismos suficientes de coordenação entre as instituições.
O acórdão recomenda ao Ministério da Educação, em conjunto com a Secretaria de Governo Digital do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos e em articulação com Andifes e Conif, a elaboração de um plano de consolidação da infraestrutura de TI educacional.
Esse plano deve estabelecer padrões técnicos mínimos e critérios de custo-benefício, risco e segurança para orientar a escolha entre data centers próprios, infraestrutura compartilhada e nuvem, além de prever migração progressiva para estruturas compartilhadas, híbridas ou em nuvem. O TCU também recomenda ampliar a padronização de contratações e estimular arranjos colaborativos para competências escassas de TI.
É justamente nesse ponto que as propostas discutidas no Fórum RNP se aproximam das alternativas apontadas pelo Tribunal.
Confira aqui íntegra da auditoria do TCU.
RNP discute modelo com MEC, reitores e Andifes
Antônio Carlos Fernandes Nunes afirmou que a RNP vem acompanhando a discussão com o Ministério da Educação (MEC). Segundo ele, o assunto também esteve presente em uma sessão realizada durante o Fórum RNP com representantes da Andifes, reitores e dirigentes do MEC.
Nunes é diretor de Serviços e Soluções da RNP. Durante a entrevista, ele concentrou sua análise nos mecanismos de compartilhamento e governança que poderiam ser empregados pelas universidades e institutos federais.
Lisandro Granville é diretor-geral da RNP e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Pesquisador da área de redes de computadores, tem trajetória acadêmica ligada à gestão e operação de redes e serviços de telecomunicações.
Na conversa, ambos trataram o modelo discutido pela RNP como uma forma de complementar, e não substituir, as estruturas tecnológicas mantidas pelas instituições.
Um dos projetos apresentados ao MEC são os Centros Nacionais de Dados, que estão sendo estruturados pela RNP e poderão disponibilizar capacidade de armazenamento, processamento de inteligência artificial, GPUs, computação de alto desempenho e outros serviços para o ecossistema de educação e pesquisa.
“Não é uma substituição, é uma complementação”, afirmou Nunes.
Centros de dados podem ajudar na questão levantada pelo TCU
Ao ser questionado especificamente sobre a auditoria do TCU, Nunes relacionou a iniciativa ao problema da segmentação dos recursos de TI entre as instituições e à necessidade de melhorar o acompanhamento dos investimentos.
Segundo ele, os Centros Nacionais de Dados são um exemplo do que pode ser feito conjuntamente entre MEC e instituições para obter economicidade e melhorar o aproveitamento dos recursos.
Nunes teve o cuidado de não apresentar a iniciativa como uma resposta formal ao Tribunal. Disse, porém, que ela “pode ajudar nesse processo de estruturação”, por meio de governança, acompanhamento e oferta compartilhada de capacidades tecnológicas.
A governança das estruturas compartilhadas, acrescentou, precisa incluir as próprias universidades e institutos.
“Questão de governança participativa é fundamental. As instituições fazem parte disso”, afirmou. Segundo ele, não se trata de uma estrutura entregue unilateralmente pela RNP ou pelo MEC. “Andifes, Conif e suas representações de TIC, CGTIC e Forti, precisam participar das decisões juntamente com o MEC.”
Conecta Rede é outro modelo
Nunes citou ainda o Conecta Rede, programa desenvolvido com o MEC a partir de serviços priorizados pelas instituições.
Entre as ofertas mencionadas estão diploma digital, armazenamento, monitoramento proativo de segurança da informação, Centros de Operações de Segurança (SOCs) e Conferência Web. O modelo prevê compartilhamento dos custos entre os participantes.
“A mensagem eu acho principal é: fazer em conjunto é melhor, traz economicidade, traz escala”, resumiu Nunes.
O pesquisador acrescentou que a escala pode ser utilizada para negociar condições de contratação e incorporar requisitos de qualidade, segurança da informação e privacidade.
Outro ponto da proposta é evitar que o investimento termine na aquisição da infraestrutura. Para Nunes, projetos tecnológicos precisam definir também como os equipamentos e serviços serão custeados ao longo do tempo.
Isso se torna particularmente relevante em infraestrutura de inteligência artificial, que demanda capacidade de processamento, energia e refrigeração.
Granville alerta para diferenças entre universidades
Granville ponderou que o compartilhamento não pode ignorar a heterogeneidade das instituições federais.
Segundo ele, universidades mais antigas construíram ao longo de décadas capacidades próprias de processamento e armazenamento, enquanto instituições mais recentes possuem estruturas diferentes. Essa desigualdade torna mais complexa uma solução uniforme para aquisição de bens e serviços de tecnologia.
Para Granville, podem ter sido perdidas oportunidades de otimização nas contratações, mas isso também decorre da heterogeneidade existente entre as instituições.
“Se de um lado a gente precisa procurar encontrar alternativas para que a gente tenha uma melhor otimização dos recursos e os Centros Nacionais de Dados são um exemplo de uma alternativa, a gente também precisa observar as universidades com essa heterogeneidade”, afirmou.
O diretor-geral da RNP ressaltou que tratar todas as universidades de maneira idêntica não produziria o mesmo benefício para cada uma.
Federação de GPUs e supercomputadores
A proposta apresentada pela RNP avança também para os investimentos em inteligência artificial e computação de alto desempenho.
Nunes defendeu evitar a formação de “ilhas de investimentos” em GPUs, supercomputadores, armazenamento e processamento. A alternativa seria criar uma federação de capacidades, na qual pesquisadores possam utilizar recursos instalados em diferentes instituições e centros de dados.
“São pontes que nós construímos entre esses grandes investimentos”, afirmou.
Nesse desenho, uma universidade ou instituto não precisaria necessariamente comprar e manter localmente toda a capacidade computacional demandada por seus pesquisadores.
A infraestrutura acadêmica de telecomunicações operada pela RNP serviria como elemento de conexão entre essas capacidades. Nunes exemplificou durante a entrevista que um instituto federal situado em Breves, na Ilha de Marajó, poderia acessar recursos de processamento disponíveis em Brasília ou São Paulo.
A lógica é semelhante à defendida para a infraestrutura de rede: recursos distribuídos, mas interligados e acessíveis ao conjunto do sistema de ensino e pesquisa.
Compartilhar sem retirar autonomia
Nunes e Granville convergem em um ponto: o modelo não deve retirar das universidades e institutos a capacidade de decidir sobre seus próprios recursos.
A proposta é identificar quais capacidades fazem sentido manter localmente e quais podem ser compartilhadas, especialmente quando o custo, a escala ou a complexidade tecnológica tornam pouco eficiente replicar a mesma infraestrutura em cada instituição.
Essa distinção também aparece na auditoria. O próprio TCU afirma que seus critérios não implicam adesão compulsória a iniciativas centralizadas. O problema apontado pelo Tribunal é a inexistência de uma governança capaz de identificar quais objetos podem ser contratados conjuntamente, alinhar as compras compartilhadas às necessidades das instituições e exigir justificativa técnica quando uma instituição optar por contratação individual apesar da existência de instrumento centralizado.
Nesse aspecto, as alternativas apresentadas por Nunes e Granville no Fórum RNP se aproximam do desenho recomendado pelo TCU: compartilhar onde houver escala e economicidade, preservar estruturas locais quando necessárias e estabelecer governança com participação das instituições.
Os pesquisadores não afirmam que o modelo da RNP seja uma resposta ao acórdão. O que sustentam é que iniciativas já discutidas com MEC, reitores, Andifes, Conif e instituições federais — como Centros Nacionais de Dados, Conecta Rede e federação de recursos computacionais — podem oferecer caminhos para organizar parte da infraestrutura que o TCU identificou hoje como fragmentada.
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