Португальский Культура
02.09.2026 Читать источник
Жулиана Оливейра из Миранды-ду-Корву выпустила первую книгу о преодолении трудностей и обретении надежды

26-летняя учительница физкультуры Жулиана Оливейра представила автобиографическую книгу «Девочка, обретшая крылья», в которой рассказывает о личном пути через боль к восстановлению и оптимизму. Автор надеется, что её история поможет читателям понять, что даже после потери опоры всегда возможно научиться летать.
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Primeira Página
Perdeu o chão, escreveu a sua história e aprendeu a voar: Juliana Oliveira é de Miranda do Corvo e lançou o seu primeiro livro
Há histórias que começam muito antes de chegarem às páginas de um livro. Algumas ficam escondidas durante anos, em frases soltas, pequenos textos escritos em silêncio e palavras usadas apenas para organizar aquilo que vai dentro de nós. Foi assim com Juliana Oliveira.
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Durante muito tempo, escreveu para si, como forma de desabafar e colocar em palavras sentimentos e experiências que nem sempre eram fáceis de dizer. Hoje, aos 26 anos, decidiu juntar essas palavras e transformá-las numa história que quer partilhar com outras pessoas.
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“A menina que ganhou asas” é o resultado desse caminho. Professora de Educação Física e natural de Miranda do Corvo, Juliana olha para trás e reconhece um percurso feito de altos e baixos, momentos que a fizeram crescer e amadurecer e outros em que, admite, ter de crescer “mais depressa” do que gostaria. Ainda assim, é precisamente nessa capacidade de continuar que encontra uma das características que mais a define: “mesmo perante as dificuldades, procurar sempre uma forma de seguir em frente e de transformar aquilo que vivi em alguma coisa positiva”.
A escrita esteve sempre por perto. Não começou com a ambição de publicar, nem com a ideia de transformar a própria vida num livro. Eram apenas pequenos excertos guardados numa drive, escritos em diferentes momentos e que durante anos ficaram ali, à espera. Juliana conta que chegou a dizer aos amigos da faculdade que um dia haveria de lançar um livro, mas sempre com o tom de quem dizia uma coisa quase impossível. Quando passava pela FNAC ou pela BERTRAND, brincava: “qualquer dia vou ter aqui um livro”. Na altura, não imaginava que aquela frase pudesse deixar de ser uma brincadeira.
O primeiro passo aconteceu em 2021, quando foi convidada pela psicóloga Catarina Neves, da ESEC, para participar numa palestra integrada no programa UBUNTU, dedicada ao tema “Vencer obstáculos”. Pela primeira vez, aquilo que durante anos tinha escrito para si passou para o outro lado: deixou de estar apenas no papel e tornou-se uma história contada diante de outras pessoas.
“Foi a primeira vez que tive a oportunidade de pegar naquilo que tinha vivido e, em vez de simplesmente escrever sobre isso para mim, tive a oportunidade de falar sobre a minha história perante outras pessoas”, recorda.
Não era um terreno confortável. Juliana admite que não gosta particularmente de falar em público e que a exposição não foi fácil. Mas houve algo que a fez continuar. Percebeu que a sua história podia servir para alguém do outro lado da sala. Podia provocar uma reflexão, permitir que outra pessoa se identificasse ou, simplesmente, transmitir a ideia de que era possível ultrapassar determinados obstáculos. Foi aí que começou a ganhar “o bichinho” da partilha.
As oportunidades foram surgindo e, meses depois, voltou a ser convidada para falar numa formação em Coimbra, desta vez perante um público entre os 35 e os 50 anos. A experiência acabou por lhe mostrar que aquilo que tinha vivido não era uma história apenas para os mais jovens. Havia pessoas com idades e percursos muito diferentes que se reviam nas suas palavras. E foi ficando uma sensação cada vez mais forte de que aquela história podia ter um propósito para além dela própria.
“Cada vez que terminava uma palestra ficava com aquela sensação de que aquilo que eu tinha vivido podia ter um propósito para além de mim. Podia inspirar alguém para refletir ou simplesmente fazer alguém sentir que não estava sozinha”, explica a Juliana.
Enquanto as palestras se multiplicavam, a escrita continuava. Até que, no último ano, com mais tempo disponível, Juliana decidiu voltar aos textos que tinha guardado durante tanto tempo. Começou a relê-los, a organizá-los e a desenvolver algumas ideias, sem querer perder a essência original. Foi nesse momento que duas partes da sua vida acabaram por se encontrar: a escrita, que sempre tinha sido uma forma de lidar com aquilo que sentia, e a partilha da sua história com outras pessoas.
Foi também aí que percebeu que podia olhar para experiências que durante muito tempo estiveram ligadas à dor e transformá-las noutra coisa. Numa mensagem de esperança.
“A menina que ganhou asas não nasce apenas da vontade de contar a minha vida, nasce sim da vontade de dar sentido àquilo que vivi e de transformar essa história em alguma coisa que possa chegar a outras pessoas”, acrescenta.
O livro percorre a sua vida desde o nascimento até aos 26 anos. É, por isso, uma história profundamente pessoal, mas Juliana não o vê apenas como um relato sobre si. Há também uma vontade de deixar um lugar para a menina que foi e permitir que essa menina possa olhar para aquilo que construiu e sentir orgulho. “Todos temos essa parte em que queremos orgulhar quem fomos”, diz.
A decisão de tornar pública esta parte da sua vida teve ainda outro efeito: permitiu-lhe perceber quantas pessoas conhecem Juliana há muitos anos sem conhecerem, na verdade, tudo aquilo que existe por trás dela. Ao começar a partilhar o projeto, sobretudo nas redes sociais, foi surpreendida pelo carinho recebido. E foi em Miranda do Corvo, onde tantas pessoas a conhecem desde há muito, que sentiu isso de forma particularmente especial.
“Há muitas pessoas que me conhecem há anos, que conhecem a Juliana, mas talvez nunca tenham conhecido verdadeiramente algumas das partes da minha história”, conta. Agora, através do livro, sente que está a abrir uma porta que durante muito tempo manteve mais fechada e a mostrar uma parte de si que raramente esteve à vista. “É muito especial perceber que muitas destas pessoas sentem orgulho em mim.”
Talvez por isso não consiga imaginar um único leitor para esta história. Juliana gostava que “A menina que ganhou asas” chegasse aos jovens que atravessam momentos difíceis e que precisam de acreditar que aquilo que estão a viver hoje não determina necessariamente aquilo que serão amanhã. Mas pensa também nos adultos, porque, como explica, crescer não significa deixar para trás todas as feridas. Algumas continuam connosco e podem voltar a fazer sentido quando encontramos as palavras certas.
“Não é preciso ter vivido exatamente aquilo que eu vivi para encontrar alguma coisa neste livro”, afirma. No centro da obra estão a dor, mas também a coragem, a esperança e a reconstrução. Está a ideia de que aquilo que nos acontece pode deixar marcas sem, por isso, ter de definir o resto da nossa vida.
É essa mensagem que Juliana gostaria que permanecesse depois da última página. A possibilidade de reconstruir, de recomeçar e de continuar a escrever a própria história mesmo quando, em algum momento, parece que já não há chão.
E talvez seja esse o verdadeiro significado do título. As asas não surgiram de um dia para o outro. Foram crescendo devagar, feitas das coisas que doeram, das palavras que ficaram guardadas, das pessoas que ouviram e dos passos dados apesar do medo. Agora, Juliana decidiu mostrar essas asas a quem estiver disposto a conhecer a sua história.
“Espero de alguma forma também possa tornar-se um bocadinho da história de quem o lê, que alguém se reconheça, que encontre algum conforto, ganhe esperança e perceba que mesmo depois de perder o chão ainda é possível aprender a voar.”
Pode fazer a reserva do seu livro aqui.
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Книга острая, очень и очень субъективная, и вследствие этого более литературная, чем документальная, но читать стоит.
Просто взрослые чаще прячут её. Девочка открыла книгу и не поверила своим глазам: в ней было 1111 страниц! Каждая чужая история, чужой страх, чужая обида, чужой холод.