Португальский Экономика
25.08.2026 Читать источник
RioSul Shopping отмечает 20 лет: от торгового центра до социального ядра Сеяла

Завершив два десятилетия работы, торговый центр RioSul трансформировался из места утилитарного потребления в ключевой элемент городской идентичности и экономики района Сеял. В честь юбилея компания анонсировала усиление экологических инициатив и цифровизацию услуг, продолжая развивать стратегию, объединяющую культуру, сообщество и торговлю.
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Оригинальный контент
O RioSul Shopping celebra 20 anos de atividade. Como evoluiu o papel e a importância deste centro comercial junto da comunidade ao longo destas duas décadas?
Ao longo destas duas décadas, o RioSul Shopping viveu uma profunda transformação na sua proposta de valor. Numa fase inicial, o foco estava na conveniência do retalho e no acesso a marcas modernas na Margem Sul. Hoje, o centro evoluiu para um verdadeiro ecossistema social e um ponto de centralidade urbana indispensável no concelho do Seixal. O RioSul cresceu em paralelo com a expansão demográfica e o desenvolvimento da própria região. Deixou de ser apenas um local de passagem ou de consumo utilitário para se transformar num espaço de pertença, onde as famílias locais partilham memórias, celebram momentos e encontram resposta para as suas necessidades diárias de lazer, cultura e serviços. Celebrar 20 anos significa reconhecer que o RioSul Shopping já faz parte da história viva e da identidade das pessoas que habitam o Seixal. O centro consolidou-se como um motor de dinamismo económico e social, demonstrando que o seu papel vai muito além das transações comerciais, assumindo-se como um vizinho ativo e empenhado no bem-estar da sua envolvente.
Hoje, os centros comerciais não são apenas locais de compra tendo um papel mais relevante junto das comunidades. Partindo do exemplo do RioSul Shopping, que fatores estão a impulsionar esta evolução?
O RioSul Shopping reflete muito bem a evolução que os centr os comerciais têm vivido nos últimos anos. De certa forma, recuperaram o papel que tradicionalmente pertencia ao centro da vila: um lugar onde as pessoas se encontram, partilham tempo e participam na vida da comunidade. A diferença é que, hoje, esse espaço combina comércio, restauração, cultura, lazer, serviços e uma programação de atividades que faz com que haja sempre um motivo para voltar.
Esta evolução não acontece por acaso. Exige uma gestão muito ativa, uma escuta constante dos visitantes e uma estreita colaboração com os operadores para adaptar continuamente a oferta e a experiência às necessidades de cada comunidade. No RioSul trabalhamos precisamente com esse objetivo: fazer do
centro um espaço vivo, ligado ao seu meio envolvente e relevante para as pessoas para além do momento da compra.
Acreditamos que é aí que reside o sucesso da nova geração de centros comerciais: na sua capacidade de acrescentar valor ao dia a dia das pessoas e de se tornarem um verdadeiro ponto de encontro para a comunidade.
O projeto “Vozes do Rio” procura reforçar a ligação à comunidade. Porquê esta iniciativa e de que forma contribui para a diferenciação do centro comercial?
O mural «Vozes do Rio» é um projeto que nasce da vontade genuína de dar visibilidade e prestar homenagem às histórias reais de quem contribui todos os dias para construir a identidade local do Seixal. Integrado na celebração do 20.º aniversário, o projeto foi concebido como um agradecimento à comunidade que acompanhou o RioSul Shopping ao longo da sua história e materializa a visão de que a identidade do centro se constrói através das pessoas que fazem parte do seu percurso. Desenvolvido em colaboração com a ilustradora Sara Tarita, este mural é uma obra artística coletiva que retrata pessoas representativas de uma comunidade ativa e participativa. Reúne retratos ilustrados e histórias reais de habitantes do concelho com perfis tão diversos como os de um médico, uma atleta medalhada, um professor, um bombeiro ou um poeta, entre muitos outros. Mais do que homenagear individualmente estas pessoas, cada retrato representa todos aqueles que, através de diferentes percursos e áreas de atuação – da saúde à educação, ou do desporto ao associativismo e ao voluntariado -, contribuem diariamente para fortalecer a comunidade e para construir a identidade e o futuro do Seixal.
Esta iniciativa dá rosto à força da comunidade e reforça a ligação que o RioSul tem ao Seixal e às pessoas que fazem parte da região.
Até que ponto a proximidade à comunidade influencia hoje a fidelização dos visitantes e a atratividade para as marcas presentes no centro?
A ligação à comunidade é hoje um dos principais fatores de sucesso de um centro comercial. Quando um centro consegue integrar-se no quotidiano das pessoas, deixa de ser um lugar a que se vai de forma pontual para se tornar um destino ao qual se regressa com frequência. Essa fidelização constrói-se através de uma proposta relevante para cada comunidade, com uma combinação de comércio, restauração, lazer, serviços e atividades que respondam aos seus interesses e necessidades.
Ao mesmo tempo, essa capacidade de gerar uma comunidade fiel também é muito atrativa para as marcas. Os operadores procuram centros com um fluxo de visitantes estável, com clientes que regressam, permanecem mais tempo e
mantêm uma relação com o ativo para além do ato de compra. No final, quanto mais ligado estiver um centro ao seu meio envolvente, melhores oportunidades oferece para o desenvolvimento do negócio dos seus operadores.
É precisamente por isso que damos tanta importância a conhecer os nossos visitantes. Ouvi-los, analisar os seus hábitos e compreender como evoluem as suas preferências permite-nos adaptar continuamente a oferta comercial, a programação de atividades e os serviços que disponibilizamos. Esta proximidade com a comunidade beneficia todos: melhora a experiência de quem nos visita e contribui para que as marcas encontrem no centro um ambiente onde possam crescer.
Como evoluiu o perfil do consumidor da Margem Sul nos últimos anos e de que forma essa mudança se refletiu na estratégia do RioSul Shopping?
O perfil do consumidor da Margem Sul e, em particular, do concelho do Seixal, registou uma evolução notável. Hoje encontramos um público mais qualificado, informado, digitalmente nativo e profundamente atento a questões de sustentabilidade, ética corporativa e responsabilidade social. Há uma clara valorização do equilíbrio entre a vida profissional e pessoal, refletida na procura por espaços que ofereçam experiências integradas. O cliente atual quer ver-se representado nos espaços que frequenta. Já não basta oferecer marcas de prestígio, é necessário demonstrar um propósito claro e uma pegada ecológica positiva. A preferência recai sobre marcas e empresas que investem ativamente no desenvolvimento e na conservação do território local. O RioSul Shopping antecipou e acompanhou esta evolução adaptando a sua abordagem em múltiplos eixos. Estrategicamente, o centro passou a desenhar iniciativas que vão ao encontro destes valores de cidadania e sustentabilidade, aliás o próprio mural “Vozes do Rio” reflete esta resposta, espelhando a diversidade de gerações que compõem o Seixal moderno. Esta mudança reflete-se também no investimento em ações de impacto ambiental direto, como a iniciativa “O Rio que nos Liga”. Ao mobilizar a comunidade para a preservação da Baía do Seixal, o shopping responde diretamente à exigência deste novo consumidor, que valoriza marcas que agem ativamente na proteção dos recursos naturais locais.
O projeto – Vozes do Rio – integra QR Codes para complementar a experiência física. Como avalia o papel das ferramentas digitais na criação de experiências mais envolventes para os visitantes?
As ferramentas digitais não devem ser vistas como concorrentes do espaço físico, mas sim como extensões naturais que enriquecem a jornada do visitante. No projeto “Vozes do Rio”, a integração de QR Codes junto a cada ilustração descreve perfeitamente este conceito de “Phygital” (Físico + Digital), onde a tecnologia é
colocada ao serviço do humanismo. Um espaço físico tem limites estruturais, mas o digital expande esses limites. Ao apontar o smartphone para o QR Code, o visitante é transportado do shopping para o interior da história de vida de cidadãos como o Dr. João Batalheiro ou Inês Rodrigues. Descobrem-se os percursos, os desafios e as vitórias que inspiraram a obra coletiva, transformando uma contemplação visual passiva numa experiência imersiva e interativa de storytelling. O digital permite criar camadas de envolvimento mais profundas, atraindo gerações mais jovens que comunicam prioritariamente através de ecrãs. Ferramentas digitais como aplicações próprias do centro, fornecem informação que permite ao centro afinar a sua oferta, proporcionando experiências cada vez mais personalizadas, intuitivas e sem fricção.
Que outras iniciativas têm vindo a desenvolver para reforçar a ligação entre o centro comercial, os lojistas e a comunidade local?
Para além dos grandes marcos comemorativos como os 20 anos, o RioSul Shopping mantém uma agenda contínua de ativações focadas em três C’s, ou seja, “Cultura, Comunidade e Comércio”. Iniciativas como exposições e espetáculos de artistas locais em parceria com associações do concelho, feiras de artesanato regional e programas de cariz pedagógico são exemplos práticos deste envolvimento. O destaque recente desta ligação ao território é a iniciativa “O Rio que nos Liga” que culminará no final de julho. Trata-se de uma ação de prevenção ambiental que mobilizou a comunidade para uma intervenção de limpeza do areal da Praia da Trindade (Praia da Velha), com o objetivo claro de proteger o ecossistema da Baía do Seixal. Esta ação contou com a participação especial de João Kopke, um dos nomes mais reconhecidos do surf português e defensor de causas ligadas ao mar. O projeto ganhou uma dimensão artística e de consciencialização única: a ligação do surfista irá culminar na construção de uma prancha de surf especial, que incorporará detritos e com a qual Kopke irá surfar as icónicas ondas do rio Tejo geradas pela passagem dos catamarãs. É um exemplo de como o shopping une ecologia, desporto e comunidade para gerar impacto real e visível.
Como equilibram a aposta em iniciativas culturais e comunitárias com os objetivos comerciais do centro?
Na gestão moderna de ativos imobiliários comerciais (Retail Real Estate), as iniciativas comunitárias e os objetivos financeiros não se anulam, muito pelo contrário, alimentam-se mutuamente. O investimento em cultura e comunidade é, na verdade, um investimento na sustentabilidade a longo prazo do negócio. Projetos comunitários têm a capacidade única de atrair visitantes em dias ou períodos horários que tradicionalmente registam menor afluência comercial (como manhãs de fins de semana ou dias úteis à noite). Ao trazer famílias ao
centro para ouvir uma noite de Fados, um espetáculo de dança contemporânea, ver o mural “Vozes do Rio” ou participar num evento de preservação ambiental, o shopping gera tráfego incremental. Uma vez dentro do shopping, o visitante prolonga o seu tempo de permanência (dwell time). Um maior tempo dentro do espaço traduz-se diretamente numa probabilidade superior de consumo cruzado: o visitante consome na restauração, vai ao supermercado, ou visita as lojas. O equilíbrio atinge-se ao desenhar projetos de forte cariz social que criam o contexto e o ambiente propício para que a atividade comercial floresça de forma orgânica.
Que impacto têm este tipo de projetos na frequência de visitas, no tempo de permanência ou na notoriedade do RioSul Shopping? Existem indicadores que possam partilhar?
Projetos como a parceria com a Associação Bastidores D’Arte, que nos traz música, dança, ou eventos como o Espectaculus Circus ou o Chutómetro, geram um impacto imediato e expressivo na notoriedade da marca RioSul Shopping. O retorno em termos de earned media e menções orgânicas nas redes sociais cria uma vaga de publicidade positiva incomparável. Observamos que a criação de espaços de encontro e memória aumenta a taxa de repetição de visitas, fazendo com que o shopping faça parte do circuito semanal dos cidadãos. O tempo médio de permanência expande-se acima de 1 hora, pois o espaço convida à descoberta. O sucesso destas iniciativas é medido internamente de forma contínua através do acompanhamento do tráfego recolhido pelos sistemas de contagem, do volume de utilização da aplicação móvel do centro e através dos questionários regulares de satisfação, que demonstram uma subida clara na perceção de valor e orgulho local que os clientes têm em relação ao shopping.
De que forma os lojistas têm participado ou beneficiado desta estratégia de maior envolvimento com a comunidade?
Os lojistas são os primeiros beneficiários diretos do sucesso desta estratégia. O tráfego gerado por projetos comunitários é um tráfego qualificado, predisposto a desfrutar do espaço e, por consequência, a consumir. A maior frequência de visitas e o maior tempo de permanência no centro aumentam os rácios de conversão em vendas das lojas, impulsionando a performance comercial global do ativo. Os lojistas não são meros espetadores, eles são parceiros ativos no ecossistema do shopping (podem apoiar eventos cedendo produtos para passatempos ou oferecendo descontos exclusivos associados às dinâmicas comunitárias). Há também um impacto muito positivo nas equipas de vendas das próprias lojas. Trabalhar num centro comercial que valoriza a sua comunidade, que humaniza as suas operações e que celebra 20 anos de história gera um sentimento de orgulho partilhado. Os lojistas sentem-se acolhidos e integrados numa comunidade maior, o que melhora o ambiente de trabalho e reflete-se na qualidade do atendimento prestado ao cliente final.
Quais são hoje os principais desafios na gestão de um centro comercial num contexto em que os hábitos de consumo continuam a evoluir?
O principal desafio é manter a capacidade de adaptação. Os hábitos de consumo, as expectativas dos visitantes e as próprias necessidades das marcas evoluem constantemente, pelo que um centro comercial não pode permanecer estático. Tem de ser capaz de se reinventar de forma contínua para continuar a ser relevante.
Isso implica rever permanentemente o mix comercial, incorporar novos conceitos, adaptar os espaços, reforçar a oferta de restauração, lazer e serviços e proporcionar experiências que estabeleçam uma ligação com cada comunidade. Mas implica também trabalhar muito próximo dos operadores, porque são eles que estão em contacto direto com o consumidor e nos ajudam a compreender como o mercado está a evoluir.
Outro grande desafio é transformar toda a informação de que hoje dispomos em melhores decisões. Os dados ajudam-nos a conhecer melhor os nossos visitantes e a identificar tendências, mas só geram valor quando são combinados com a experiência, o conhecimento do setor e uma gestão ativa. Essa capacidade de antecipação e de evolução é, provavelmente, o maior desafio e também a maior oportunidade para os centros comerciais do futuro.
Que prioridades estratégicas estão definidas para o RioSul Shopping nos próximos anos?
A grande prioridade estratégica passa pela consolidação inequívoca do pilar ESG (Ambiente, Social e Governação). O RioSul Shopping continuará a colocar a sustentabilidade no centro das suas decisões operacionais, reduzindo continuamente a pegada ambiental do edifício através da transição energética e gestão eficiente de resíduos. No plano social e ecológico, o objetivo é aprofundar o caminho de iniciativas como “O Rio que nos Liga”. Acreditamos que a sustentabilidade se constrói através da participação ativa das populações. Em paralelo, o centro continuará a investir na inovação tecnológica e digitalização humana para eliminar atritos na jornada do utilizador, bem como na evolução contínua do seu mix de oferta de lojas, restauração e entretenimento. O objetivo final para as próximas duas décadas é garantir que o RioSul se mantém como o ponto de encontro de eleição no Seixal, provando que o retalho físico do futuro é indissociável da responsabilidade comunitária.
Entrevista publicada na edição 447
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