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12.08.2026 Читать источник
Журналистка Летиция Коста станет первым представителем Бразилии на международном конкурсе Miss Afrikana

30-летняя журналистка Летиция Коста, победившая в национальном отборе «Бразильская красота 2025», получила право представлять свою страну на первом в истории международном конкурсе Miss Afrikana International. Данное мероприятие, стартовавшее в ноябре 2027 года, посвящено женщинам африканского происхождения со всего мира и не устанавливает ограничений по росту или весу.
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Jornalista da Globo representa o Brasil no 1º Miss Afrikana: 'Inspirar'
Resumo
Letícia Costa, 30, jornalista e comunicadora da RPC, afiliada da Globo no Paraná, vai representar o Brasil no primeiro Miss Afrikana International. O concurso se define como um um movimento global criado para celebrar mulheres de ascendência africana de todos os cantos do mundo. A brasileira foi escolhida após vencer o Belezas do Brasil 2025.
Quando a gente ocupa espaços como um palco de um concurso de beleza, televisão, qualquer espaço de poder, a gente está carregando nossas histórias, dos nossos ancestrais, toda nossa trajetória. (...) Quando eu queria entrar na televisão eu me inspirei em nomes como Dulcinéia Novaes e Gloria Maria, e elas foram essenciais pra eu [estar onde estou]. E aí saber que, sendo uma miss preta, com um cabelo crespo, eu tô também sendo inspiração pra outras meninas, parece que faz as coisas fazerem mais sentido. Letícia Costa em entrevista ao UOL
O que é o Miss Afrikana International?
O concurso acolhe mulheres que se identificam com a ascendência africana, seja do próprio continente africano, do Caribe, das Américas, da Europa, da Ásia, do Pacífico ou de qualquer outro lugar da diáspora. Ele tem estreia prevista para novembro de 2027.
Seu site informa que ele não impõe restrições de altura ou peso, porque celebram a beleza e a diversidade das mulheres africanas em todas as suas forma. "Nosso foco está no caráter, na inteligência, no orgulho cultural, na liderança e no propósito — não na conformidade com padrões físicos restritos", explicam. Mães e casadas podem participar, conforme suas organizações nacionais.
Letícia reforça que é um concurso que vem para quebrar padrão: "Quando a gente olha para a história dos grandes concursos internacionais, mulheres negras sempre estiveram presentes, mas determinados fenótipos, tons de pele, texturas de cabelo e tipos de corpo ainda aparecem muito menos, principalmente quando observamos quem de fato chega às coroas".
Mulheres que descendem de África são mulheres múltiplas. O que eu imagino que vou ver nesse concurso? Muitas texturas de cabelo crespo, cabelo cacheado, muitas tonalidades de pele, muita diversidade, diversidade de verdade. Então, a minha expectativa é muito grande, para ver como vai ser esse concurso e também pela minha participação. (...). Eu quero que as meninas negras assistam e se vejam também neste lugar. Eu penso muito também na minha filha, sabia? Letícia Costa, Miss Afrikana Brasil e idealizadora do Quilombo das Mães Pretas, em Curitiba
Em 2027, o concurso terá duas brasileiras até o momento: Letícia Costa, 30, representando o Brasil, e Karina Azevedo, 37, representando a região amazônica. Ambas são mães, respectivamente, de Aurora, 7, e Enzo, 9.
Quem coordena o Miss Afrikana no Brasil é Elaine Cristina, responsável pelo Concurso Belezas do Brasil, que Letícia venceu na edição de 2025. O concurso também promoveu o Miss Intercontinental Brasil 2015, que Karina participou representando São Paulo.
Reconhecendo a sub-representação que os demais concursos possuem em relação a candidatas e vencedoras negras, Elaine ressalta que o Belezas do Brasil construiu uma história diferente: "Das 12 vencedoras nacionais que tivemos até hoje, seis são mulheres negras. E isso nunca foi resultado de cota ou de uma decisão de criar uma imagem de diversidade. Essas mulheres participaram do mesmo processo, foram avaliadas dentro dos mesmos critérios, chegaram às etapas decisivas e venceram".
Quem promove o Miss Afrikana é a modelo e empresária ganesa Abena Appiah. Com forte trajetória em concursos, ela é a única negra vencedora do Miss Grand International, pelos EUA, na edição de 2020 realizada em março de 2021 devido à pandemia. Ela também participou do Miss Universo 2014, por Gana, o último sob a gestão de Donald Trump antes dele sair para concorrer à Presidência dos EUA pela primeira vez.
Meu currículo e minha trajetória profissional foram analisados, passei por uma entrevista e fui escolhida pela própria Abena Appiah. Isso teve um significado muito especial para mim porque existe uma identificação real entre o que ela quer construir internacionalmente e o trabalho que desenvolvemos no Brasil há mais de uma década. Elaine Cristina, Diretora Nacional do Miss Afrikana International no Brasil
Por que Brasil e Amazônia?
Em concursos internacionais, há a possibilidade de representação de regiões que não sejam necessariamente os próprios países. Porto Rico, por exemplo, é um território americano e participa regularmente de concursos como Miss Universo e Miss Mundo.
Sendo assim, o Miss Afrikana terá duas brasileiras com Letícia Costa representando o Brasil e Karina Azevedo representando a Amazônia: "Não é estado do Amazonas nem a cidade de Manaus. Estamos falando da Amazônia como região, que ultrapassa as fronteiras brasileiras e ocupa diferentes países da América do Sul. Essa possibilidade permite que as duas participem com identidades e narrativas distintas, sem que tenhamos duas candidatas usando exatamente a mesma representação nacional", explica Elaine.
Karina, que disputou recentemente o Miss Universe Brasil 2026 por Tocantins, agora tem a chance de representar a região do estado em um concurso internacional: "Vejo essa oportunidade como um espaço de representatividade, diversidade e transformação. Quero aproveitar essa experiência para mostrar não apenas a mulher que sou, mas também aquilo que posso inspirar e construir através da minha trajetória", destaca Karina Azevedo, Miss Afrikana Amazon.
Durante muito tempo, a discussão ficou muito presa à pergunta: 'concursos de beleza ainda deveriam existir?'. Eu acho que existe outra pergunta, talvez até mais interessante: quem teve, historicamente, o direito de ser reconhecida como bela dentro desses espaços? Porque os concursos continuam existindo. Eles movimentam moda, entretenimento, turismo, comunicação e têm públicos enormes em vários países. O que está mudando é quem consegue chegar ao centro desse palco, (...) a ocupar esse lugar de vencedora. Elaine Cristina, Diretora Nacional do Miss Afrikana International no Brasil
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