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08.09.2026 Читать источник
Шесть инженеров возглавляли Мату-Гросу на протяжении последних десятилетий

В истории Мату-Гросу шесть губернаторов имели инженерное образование, что коррелирует с потребностями региона в развитии инфраструктуры и логистики. Эксперт отмечает, что техническая подготовка руководителей помогала решать материальные задачи масштабного освоения территории.
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Engenharia, governo e desenvolvimento em Mato Grosso
Opinião
Cícero Ramos
08/09/2026
Seis governadores que passaram pelo comando de Mato Grosso em diferentes momentos de sua história recente tinham a mesma formação: eram engenheiros. O dado chama atenção em um Estado que cresceu sobre um território imenso, com regiões distantes entre si e uma economia que avançava sobre novas fronteiras.
José Garcia Neto, engenheiro civil, governou entre 1975 e 1978, antes da divisão territorial que originou Mato Grosso do Sul. Frederico Campos, também engenheiro civil, assumiu em 1979 um Estado territorialmente redefinido, com uma estrutura administrativa ainda por reorganizar.
Júlio Campos, engenheiro agrônomo, governou entre 1983 e 1987, período em que novos municípios surgiam no norte e a agropecuária avançava em novas áreas, ampliando a demanda por estradas, energia e serviços públicos.
Dante de Oliveira, engenheiro civil, esteve à frente do governo entre 1995 e 2002, quando o Estado já era mais urbanizado e atravessava um período de reorganização fiscal.
Blairo Maggi, engenheiro agrônomo, governou entre 2003 e 2010, anos em que Mato Grosso consolidava sua posição entre os grandes produtores agropecuários do país. As distâncias continuavam as mesmas, mas transportar volumes cada vez maiores tornava os custos logísticos mais evidentes.
Mauro Mendes, engenheiro eletricista, assumiu um Estado mais rico e integrado, ainda assim com demandas por rodovias, pontes, hospitais e escolas. Em sua gestão, o equilíbrio fiscal esteve associado à recuperação da capacidade de investimento público.
Não há como afirmar que essa sequência explique o desenvolvimento de Mato Grosso. Produtores, trabalhadores, empresários, migrantes, servidores públicos, municípios, investimento privado e sucessivas políticas públicas participaram dessa transformação. O que chama atenção é outra coisa: durante boa parte desse período, alguns dos principais desafios do Estado estavam ligados ao território, à infraestrutura, à energia, à produção e à logística — questões próximas de uma formação voltada a identificar restrições, projetar soluções e executá-las.
A engenharia trabalha sob limites reais. Uma estrada será submetida ao tráfego e às chuvas; uma ponte precisa suportar determinadas cargas; um sistema elétrico deve atender à demanda. Custo, prazo, recursos e segurança entram no projeto antes que ele saia do papel, e depois é a realidade que testa a solução.
Governar é outra coisa. Há interesses, conflitos, escolhas políticas e consequências difíceis de antecipar. Mas boa parte dos desafios de Mato Grosso tinha uma dimensão material: conectar regiões separadas por centenas de quilômetros, escoar uma produção crescente, fornecer energia e acompanhar a expansão das cidades. É nesse terreno que uma formação técnica encontra problemas que lhe são familiares.
Dan Wang trata dessa capacidade de realização em Breakneck: China's Quest to Engineer the Future. Ao descrever a China como um “engineering state”, chama atenção para um Estado capaz de transformar decisões em ferrovias, estradas, usinas, cidades e capacidade industrial. Mato Grosso pertence a outra realidade histórica e institucional. A comparação não pretende equiparar os dois casos, mas ajuda a observar algo mais restrito: as possibilidades econômicas de um território dependem também de sua capacidade de construir.
O diploma não explica o desenvolvimento de Mato Grosso, nem assegura competência política. A coincidência, ainda assim, é significativa. Ao longo de décadas em que o Estado precisava vencer distâncias, ampliar infraestrutura e acompanhar uma economia em rápida transformação, seis engenheiros chegaram ao governo. Sua formação não explica o caminho percorrido, mas ajuda a compreender por que essa coincidência merece ser observada.
Cícero Ramos é engenheiro florestal e vice-presidente da Associação Mato-grossense dos Engenheiros Florestais (AMEF).
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