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15.08.2026 Читать источник
Бразильский мультфильм «Бабушка» рассказывает историю мальчика, воображающего родную бабушку
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Анимационный фильм «Вó» режиссера Роналду Пейреиры, получивший награды на международных фестивалях, повествует о мальчике Нето, который через воображение пытается воссоздать образ бабушки, которую никогда не знал. Произведение, вдохновленное личной историей создателя, исследует темы семейных связей и наследия предков, вызывая глубокий эмоциональный отклик у зрителей.
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Curta-metragem "Vó": animação brasileira conta a história de Neto, que imagina a avó que nunca conheceu
Dirigido por Ronaldo Pereira, o filme de 11 minutos parte de uma experiência pessoal e se amplia para falar sobre relações familiares, com Silvero Pereira dando voz ao protagonista
Atualizado
A imaginação é um costume que muitas crianças cultivam diariamente em meio às brincadeiras e atividades para suprir certas lacunas e trazer mais ludicidade para o dia a dia. É desse ponto de partida que nasce o curta-metragem brasileiro de animação "Vó", dirigido pelo artista e cineasta Ronaldo Pereira, e com participação do ator Silvero Pereira.
Com cerca de 11 minutos de duração, a produção acompanha a trajetória de Neto, um menino que imagina como seria a avó que nunca conheceu.
O curta-metragem tem percorrido circuitos nacionais e internacionais independentes. Mais recentemente, foi premiado na categoria de Melhor Animação no festival New York Movies, nos Estados Unidos, e também no Accra Indie Filmfest (AiF), festival de cinema independente realizado em Gana. Nesta sexta-feira (14), o filme também recebeu Menção Honrosa no Realtime Internacional Film Festival, realizado na Nigéria.
"A minha avó deixou a herança do sonho e da imaginação"
A motivação inicial de Ronaldo em produzir o curta veio da sua própria história e das relações com sua mãe e avó. Natural de Barbacena, em Minas Gerais, desde pequeno, o artista se recordava de histórias do seu avô, descendente de imigrantes italianos estabelecidos na região.
O mesmo não acontecia com sua avó materna, Maria Aparecida. Ronaldo e sua mãe, Auxiliadora Maria Pereira, sabiam poucos detalhes da história de Maria. A única informação que tinham era de que ela havia falecido muito jovem. Por muitos anos, a família acreditou que a morte havia acontecido durante o parto de Auxiliadora.
Maria Aparecida também não tinha o sobrenome registrado nos documentos da família. "Eu não sabia nada da minha avó. A única coisa que eu sabia era que ela tinha falecido muito cedo. E havia outras coisas que eram meio um tabu na família. Eu sempre perguntava, mas as pessoas desconversavam", conta o diretor.
A história acompanhou Ronaldo durante anos, com o desejo de descobrir quem era sua avó e como ela era. Depois da morte de um tio, uma prima encontrou uma pequena fotografia 3x4 entre os pertences dele e entrou em contato com a família.
Aos 35 anos, Ronaldo viu pela primeira vez o rosto da avó. Sua mãe, então com 60 anos, também conheceu e reconheceu naquele momento a imagem da própria mãe.
A descoberta também fez Ronaldo olhar para a história da própria família de outra maneira. "Minha avó e a sua história foram silenciadas porque ela era uma mulher preta", afirma Ronaldo.
O diretor, que durante a vida vivia imaginando como seria sua avó, encontrou no curta-metragem uma forma de contar essa história e também de homenageá-la. "Falamos muito sobre a herança deixada pelos nossos parentes. Eu acho que a minha avó me deixou uma herança que eu também precisava honrar: a do sonho e da imaginação", diz Ronaldo.
Da fotografia ao audiovisual
A partir da fotografia, Ronaldo começou a imaginar como concretizar a ideia de contar essa história. A resposta veio do resgate da infância e das trocas com seu filho. O nascimento de Gael, há 9 anos, foi o momento no qual o cineasta retomou a prática do desenho, base da animação final.
"O desenho foi algo que sempre quis fazer, mas achava que não tinha talento. Quando comecei a desenhar para o Gael, ainda bebê, e depois vi ele fazendo as primeiras formas, quis retomar essa prática", comenta o diretor.
Com as experiências somadas da sua participação no grupo teatral mineiro Ponto de Partida, da vivência de direção de um primeiro curta-metragem durante a pandemia e dos estudos de animação, Ronaldo entrou de vez nesse universo. Durante esse processo, também se formou em animação.
A relação com a arte, no entanto, começou ainda na infância. Ronaldo faz parte há 26 anos do Ponto de Partida, companhia de teatro e associação cultural de Barbacena, onde construiu boa parte de sua trajetória artística.
No processo de criação de "Vó", o desenho acabou se aproximando novamente da relação com o filho. Gael acompanhou de perto a produção. Enquanto Ronaldo fazia reuniões com a equipe, o menino ficava ao lado desenhando e chegou a aprender a reproduzir os personagens do curta à sua maneira.
Quando o curta-metragem ficou pronto, ele e a companheira de Ronaldo estiveram entre os primeiros a assistir ao filme. O curta é dedicado à mãe, ao filho Gael e ao sobrinho João Vicente. "Foi pensando neles que esse desenho, que essa história, veio também", conta Ronaldo.
No filme, Neto atravessa a cidade carregando a fotografia da avó e imaginando como ela poderia ter sido. A personagem também aparece como uma menina, acompanhando o garoto ao longo da história.
Assim como o personagem, o diretor conta que tinha poucas fotos da mãe quando ela era criança e, a partir dessas imagens, acabava imaginando como sua avó teria sido naquela idade.
Uma história construída a muitas mãos
Apesar de partir de uma experiência pessoal, Ronaldo não queria se fechar nessa história. A intenção era que outras pessoas também pudessem se reconhecer no que estava sendo contado. Isso aconteceu ainda na produção. As pessoas da equipe começaram a relacionar o curta com suas próprias histórias familiares.
Essa identificação também esteve presente na participação de Silvero Pereira. Em entrevista exclusiva à CRESCER, o ator conta que a identificação com a proposta veio desde o início. "Quando Ronaldo me fez o convite, já me encantou por conta da história que inspira o filme ser algo real, sobre as descobertas e homenagens que ele pretende fazer para sua própria avó. Identifiquei-me imediatamente e aceitei como alguém que também queria estar nessa homenagem", afirma o ator.
A relação de Silvero com a história também passa pela própria família. "A minha avó materna, uma mulher indígena manauara, faleceu um ano antes de meu nascimento, logo, não tive esse contato e também pouco sei sobre ela", conta Silvero.
O diretor conheceu o ator quando ele fazia o espetáculo BR Trans e, anos depois, decidiu convidá-lo para dar voz a Neto. Os dois acabaram gravando em Brasília.
Durante o processo, Ronaldo mostrou a Silvero um áudio enviado por sua mãe contando como havia sido o dia em que recebeu a fotografia de Maria Aparecida. "Esse foi um momento crucial para entender a atmosfera a se desenvolver no filme e como isso iria conduzir na minha criação. Fiquei, inicialmente, comovido e, logo depois, inspirado", relembra o ator.
A proximidade com Ronaldo também ajudou na construção de Neto. "Eu estava ao lado do Ronaldo e havíamos conversado muito. Sabia que Neto se tratava dele e tê-lo ali perto, percebendo sua paixão, não só por elaborar um projeto, mas por ser algo familiar, amoroso e extremamente importante sobre dar voz e história para essa mulher, facilitou muito meu processo", afirma Silvero.
A trilha sonora também surgiu antes mesmo de o roteiro estar pronto. Pablo Bertola, seu parceiro de trabalho, foi responsável pela criação da música do filme.
11 minutos para contar uma história
Produzir uma animação de 11 minutos exigiu cerca de um ano de trabalho. O formato também foi um desafio para Ronaldo, que precisava desenvolver a história sem perder o tom que havia imaginado para o filme, equilibrando seus aspectos narrativos e poéticos.
Uma das cenas que Ronaldo mais fez questão de manter mostra a avó dançando. "Sempre imaginei que, se ela estivesse viva, teria sido bailarina ou gostaria de dançar. É algo que eu, minha mãe e meu filho compartilhamos", diz o diretor.
O tempo escolhido também dialoga com a intenção de fazer uma animação que pudesse ser assistida por crianças e adultos. "Como eu queria que fosse uma animação para todas as idades, acho que é um tempo legal para criança, de ver e se divertir", explica.
A circulação pelos festivais também mostrou a Ronaldo que a história poderia alcançar outras pessoas. Em uma das exibições, em um festival de Madrid, ele estava na plateia sem que o público soubesse que era o diretor. Depois da sessão, algumas pessoas disseram que também se reconheciam naquela história.
Após passar por festivais internacionais, Ronaldo espera que "Vó" também encontre o público brasileiro. "É muito legal, claro, ter reconhecimento internacional, mas toda vez que faço, penso ou desenho alguma coisa, penso para a gente", afirma o diretor.
Silvero também se reconhece nessa dimensão familiar do curta. "Da mesma forma que chegou até minhas memórias sobre minha avó e a falta que sinto por conhecer pouco sua história, acredito que o curta mexe nesse emocional familiar, nessa memória que nos faz pensar sobre quem foram os nossos antepassados", explica Silvero.
Para o ator, essa memória também ajuda a olhar para o que uma geração deixa para a seguinte. "Aquilo que somos hoje é consequência de uma trajetória construída por quem veio antes. Se temos uma vida com mais oportunidades, é porque muitas pessoas lutaram para que a nossa história fosse diferente. Acho que o filme faz muito bem essa reflexão sobre o passado", reflete o ator.
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