Португальский Технологии
08.09.2026 Читать источник
Технологические сбои на массовых мероприятиях в Бразилии: почему удобные приложения не работают без интернета

Посетитель выставки в Бразилии столкнулся с невозможностью доступа к цифровым билетам и парковке из-за перегрузки сети в часы пик. Автор статьи утверждает, что разработчики должны учитывать реальные условия инфраструктуры при создании продуктов, а не просто переносить проблемы на пользователей.
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O Aplicativo Era Ótimo. Só Esqueceram do Brasil
Meu amigo Marcelo viveu uma cena na última sexta-feira, durante a Expo Cláudio, que resume bem um dos paradoxos da tecnologia no Brasil.
E talvez explique por que tantos projetos digitais tecnicamente bons entregam experiências ruins.
Tudo começou perfeitamente.
Marcelo comprou seu ingresso pelo aplicativo. De fato, aproveitou e comprou também o estacionamento oficial. Tudo simples, rápido e organizado. Ingresso no celular. Estacionamento no celular. QR Code. Sem papel, sem comprovante impresso, sem burocracia. Tecnologia fazendo exatamente aquilo que promete fazer: simplificar a vida.
Só havia um pequeno detalhe.
Marcelo fez tudo isso antes do evento. Com internet.
Aí chegaram 20 mil pessoas.
Expectativa alta, milhares de pessoas chegando e milhares de celulares tentando utilizar a mesma infraestrutura de telecomunicações. Portanto, a rede fica congestionada. E aquele aplicativo que funcionava perfeitamente simplesmente não abre.
Marcelo precisava apresentar o QR Code do estacionamento. Não conseguia. Precisava acessar o ingresso. Também não conseguia. De fato, o aplicativo não permitia salvar previamente o QR Code para provar que havia comprado algo, Marcelo precisava acessar internet. Justamente onde a internet praticamente não funcionava.
A cena chega a ser irônica: você compra antecipadamente para ganhar tempo, usa tecnologia para ter comodidade, chega ao evento e precisa se afastar da multidão procurando sinal.
Quando finalmente conseguiu abrir o QR Code, veio aquela solução tecnológica tipicamente brasileira: pegar outro celular, tirar uma foto da tela e torcer para funcionar.
Digitalização 4.0. Operação: fé.
Mas Seria Fácil Culpar Apenas a Internet
E seria injusto.
Sim, temos um problema de infraestrutura. De fato, grandes concentrações de pessoas expõem limitações de cobertura e capacidade das redes. Portanto, isso é verdade.
Mas existe uma segunda discussão, talvez ainda mais importante para quem desenvolve tecnologia.
O software deveria saber disso.
Se você está desenvolvendo uma aplicação para eventos que recebem milhares ou dezenas de milhares de pessoas, conectividade ruim não é uma exceção. Portanto, é uma condição previsível de operação.
E existe uma diferença enorme entre essas duas coisas.
O aplicativo poderia disponibilizar o ingresso localmente no aparelho. De fato, poderia permitir acesso offline ao QR Code. Além disso, poderia gerar uma carteira digital. Em suma, poderia permitir armazenamento seguro da credencial. Poderia, enfim, ter sido projetado considerando um design responsável — considerando o ambiente real no qual seria utilizado.
Isso é engenharia de verdade. Porque tecnologia não deveria ser construída considerando apenas o cenário perfeito.
O PowerPoint Sempre Tem Sinal
Talvez esse seja um dos maiores vícios tecnológicos.
De fato, projetamos para o laboratório. Testamos no Wi-Fi corporativo. Homologamos em ambientes controlados. Portanto, fazemos uma demonstração impecável. E depois colocamos a solução na mão de pessoas reais pessoas em estradas, estádios, feiras, restaurantes, áreas rurais, periferias, estacionamentos, eventos com 20 mil celulares disputando conexão.
É nesse momento que descobrimos algo básico: o mundo real não possui ambiente de homologação.
No Brasil, conectividade intermitente deveria fazer parte da arquitetura desde o primeiro desenho. De fato, aparelhos antigos. Bateria baixa. Usuários com pouca familiaridade digital. Redes congestionadas. Portanto, não são casos excepcionais. São requisitos de projeto.
Um design responsável, de verdade, não ignora essas condições reais. Ao contrário, as coloca no centro da arquitetura desde o início.
Não Nos Falta Tecnologia
Temos excelentes desenvolvedores. De fato, boas plataformas. Pix. Aplicativos bancários sofisticados. Sistemas de pagamento instantâneo. Inteligência artificial avançando rapidamente.
O problema é acreditar que colocar tecnologia sobre uma infraestrutura limitada automaticamente resolve alguma coisa. Não resolve. Às vezes apenas digitaliza o problema.
E existe algo ainda pior: quando projetamos uma solução sofisticada que depende de condições que sabemos que o usuário não terá, não estamos inovando. Portanto, estamos transferindo o problema para ele.
Foi exatamente isso que aconteceu com Marcelo. De fato, o sistema não deixou de existir. O ingresso estava lá. O estacionamento estava pago. O QR Code também estava lá. Só que nenhum deles estava disponível quando ele realmente precisava.
E tecnologia indisponível no momento da necessidade tem praticamente o mesmo valor de tecnologia inexistente.
O Que Os Desenvolvedores Precisam Perguntar Sobre Design Responsável
Quando uma solução falha na realidade, não pergunte por que falhou. De fato, pergunte isto:
Em primeiro lugar: para quais condições reais eu projetei isto? Se a resposta foi “conexão estável, aparelhos novos, ambiente controlado”, você projetou para laboratório. Portanto, não praticou design responsável.
Em seguida: qual era a minha responsabilidade de antecipar os cenários onde isto quebraria? De fato, você sabe que Brasil tem internet intermitente em multidões. Negligenciar não é desculpa. Além disso, é culpa.
Além disso: o quanto eu transferi da minha responsabilidade de design para a responsabilidade do usuário consertar? Se o usuário precisa fazer workaround caminhar procurando sinal, pedir celular emprestado, tirar foto de tela para acessar o que você prometeu, você não resolveu. De fato, transferiu.
Por fim: se tivesse projetado com design responsável, considerando a realidade brasileira, qual teria sido diferente na arquitetura? Se a resposta for “muita coisa”, então isso não era detalhe. Portanto, era requisito que você ignorou.
Para Refletir
A história do Marcelo poderia ser qualquer evento, qualquer aplicativo, qualquer serviço digital em multidão.
Não basta perguntar: “O sistema funciona?” De fato, precisamos perguntar: “Em quais condições ele continua funcionando?”
Essa segunda pergunta muda arquitetura, infraestrutura, experiência do usuário, testes e até a definição do que significa um produto pronto.
No Brasil, tecnologia e infraestrutura precisam caminhar juntas. De fato, quem desenvolve tecnologia também precisa parar de desenhar soluções para o Brasil que gostaríamos de ter e começar a projetar com design responsável para o Brasil que realmente temos.
Porque inovação que depende de condições perfeitas tem outro nome.
Protótipo.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.
Categorias: Tecnologia
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