Португальский Политика
06.07.2026 Читать источник
Миллионы иранцев вышли на улицы в честь похорон аятоллы Хаменеи, что свидетельствует о силе режима после войны с США и Израилем
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Массовые похороны лидера Ирана аятоллы Али Хаменеи, убитого в результате атаки США и Израиля, стали демонстрацией поддержки режима со стороны миллионов граждан Тегерана. Эксперт Гуга Чакра отмечает, что эта мобилизация опровергает эффективность военной операции Запада, однако предупреждает о сохраняющихся экономических проблемах и риске новых протестов.
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Оригинальный контент
Colunista do Globo e comentarista de política internacional da Globonews.
Informações da coluna
Guga Chacra
Mestre em Relações Internacionais pela Columbia University de Nova York. É colunista do Globo e comentarista de política internacional da Globonews.
A demonstração de força do regime no funeral de Khamenei
Mobilização de milhares de iranianos é prova do fracasso da guerra promovida por EUA e Israel, afirma Guga Chacra em newsletter especial
RESUMO
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GERADO EM: 06/07/2026 - 08:28
Funeral de Khamenei mostra força do regime, mas desafios persistem
O funeral do aiatolá Ali Khamenei demonstrou a força do regime iraniano, com milhões de pessoas nas ruas de Teerã, apesar das ações dos EUA e Israel. Essa mobilização desafia a percepção de fraqueza do regime antes da guerra. Guga Chacra destaca que, embora o regime esteja fortalecido, enfrenta desafios econômicos e sociais que podem reacender protestos se as sanções não forem levantadas.
Desde a eclosão da guerra no Irã, Guga Chacra escreve newsletter diária com informações e análises exclusivas. Clique aqui para se inscrever.
O regime do Irã tem conseguido fazer uma enorme demonstração de força nas celebrações do funeral do aiatolá Ali Khamenei. São centenas de milhares — ou mesmo milhões de pessoas — nas ruas de Teerã para se despedir do líder supremo, assassinado em ataque dos Estados Unidos e de Israel. As celebrações continuam na capital iraniana nesta segunda-feira, antes de o caixão ser levado para a cidade sagrada de Qom e depois para as cidades sagradas de Najaf e Karbala, no Iraque. O enterro será no dia 9, em Mashad, cidade natal de Khamenei e a segunda maior do Irã.
Suporte ao regime – Nunca esteve claro qual seria a base de apoio ao regime no Irã. Durante as gigantescas manifestações de opositores em janeiro, falava-se em algo entre 20% e 30%. Os adversários seriam bem mais numerosos. É difícil calcular. Uma das formas utilizadas são eleições, nas quais o voto não é obrigatório. Como quase todos os candidatos opositores acabam vetados, a maioria dos iranianos não vota. Mesmo entre os que votaram para presidente, o vencedor acabou sendo Masoud Pezeshkian, visto como um moderado dentro do regime.
Comparação – Diante da dimensão das celebrações, fica bem claro que o regime se fortaleceu depois do início da guerra. É a prova do fracasso da ofensiva de Donald Trump e Benjamin Netanyahu. Em vez de milhões saírem às ruas para tentar derrubar o regime, milhões se despedem do líder supremo em Teerã. Basta comparar dois momentos — o antes da guerra e o depois da guerra — para ver como foi absurda e equivocada a decisão de atacar o Irã. Para ficar claro, isso não significa defender um dos mais sanguinários regimes do planeta. Significa apenas condenar uma ação bélica que atingiu objetivos opostos aos almejados.
Mártires – Antes da guerra, o regime estava enfraquecido, era considerado um “tigre de papel” por não conseguir enfrentar Israel e EUA e precisava reprimir com enorme violência manifestantes de todas as camadas sociais que saíam às ruas pedindo mudanças. Hoje, suas lideranças são vistas como mártires por pagarem com a própria vida na luta contra Israel e EUA e estão empoderadas ao mostrar força no conflito, com as pessoas nas ruas em seu apoio, e não pedindo a sua queda.
- Guga Chacra: A guerra e a seleção do Irã na Copa
Problemas pela frente – Claro que, por enquanto, a atmosfera ainda é de mobilização na guerra. O regime precisará do fim das sanções em acordo com os EUA para melhorar o cenário econômico. Caso contrário, voltarão com força a insatisfação popular e os protestos. O atual regime, transformado em uma junta militar controlada por veteranos das Guardas Revolucionárias, tende a ser ainda mais duro com opositores, embora mais tolerante em algumas questões, como a obrigatoriedade do uso do véu pelas mulheres.
Ao longo dos próximos dias, devo continuar falando do funeral de Khamenei. Desculpem o atraso no envio desta newsletter hoje. Estive ontem no estádio em Nova York para ver mais uma eliminação da seleção brasileira e cheguei tarde em casa. Naturalmente, sem muita cabeça para conseguir escrever.
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