Португальский Политика
09.09.2026 Читать источник
Пакет трудовых реформ в Португалии: раскол правых ускорил объединение сил вокруг Пассу Коэлью
Попытка объединения правых сил в Португалии вокруг лидера Пассу Коэлью привела к расколу, который теперь используется для ослабления министра внутренних дел Луиша Невеша. Эксперты отмечают, что текущая политическая борьба между умеренными и радикальными правыми лишь ускоряет формирование единого авторитарного блока.
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Os passistas contra‑atacam: o caso Luís Neves e a síntese da direita
Quando o pacote laboral caiu, escrevi que isso representava uma fratura na hegemonia da direita e que afastava a sombra de Passos Coelho. Falava de um processo onde as várias forças da direita procuram uma reorganização. As elites económicas em busca uma forma de juntar a maioria fragmentada da direita num bloco político sólido, que possa avançar para um projeto e programa agressivo da direita politicamente autoritária e economicamente neoliberal, cujo líder sebastiânico é Passos Coelho. E os protagonistas políticos, Luís Montenegro e André Ventura, disputando a relação de forças à direita entre si, tentando sobreviver a essa síntese.
O voto contra do Chega no pacote laboral mostrou que Ventura está confortável com que o PSD se aproxime de si na agenda da extrema-direita, mas que não está ainda disposto, por estar em ascensão, em aproximar-se do PSD nas matérias sociais e económicas que o comprometem com a agenda neoliberal de governação. Na altura, escrevi que o desfecho do processo do pacote laboral “não é uma rutura total ou permanente, mas uma pausa na síntese que se consolidava”.
E foi mesmo só uma pausa. Rapidamente uma parte das forças da direita orquestraram um ataque ao ministro da Administração Interna para continuar algum tipo de síntese da direita. E a prova está no posicionamento dos passistas.
Comecemos por Luís Neves. Foi posto no Governo por Montenegro, e serviu como travão de emergência à síntese das direitas. Era uma espécie de garantia de vida para Luís Montenegro face às movimentações dos passistas, porque Neves combate as premissas da extrema-direita e dos passistas sobre o aumento do crime, sobre imigração e até sobre terrorismo. Ou seja, contraria a síntese no terreno da extrema-direita.
Lembro o episódio em que, em audição na Assembleia da República, Rui Rocha, o troll de serviço da Iniciativa Liberal, perguntou ao ministro se o terrorismo de “extrema-esquerda” era mais perigoso que o de extrema-direita. A síntese da direita requeria um posicionamento que dissesse que sim. Luís Neves respondeu, sem pestanejar, que não.
Ou seja, a nomeação do ministro da Administração Interna pôs em xeque a pulsão de uma parte da direita de aproximar as suas posições das do Chega e de Passos Coelho. Só que não demorou muito até que um ataque orquestrado na comunicação social o tivesse na mira.
Vítima ou culpado?
A informação começou a surgir a conta-gotas na comunicação social, com pontapé de saída no suspeito semanário de direita Sol. As delações faseadas permitiram ir atacando o ministro lenta e metodicamente, pondo em causa a sua credibilidade, porque sempre que Luís Neves dissesse alguma coisa, uma delação no dia seguinte a contrariaria.
Esse é o tabuleiro da síntese ou fratura das direitas. Mas analisemos primeiro o seu caso no plano da política concreta. Desse ponto de vista, o ministro da Administração Interna facilitou a vida a quem o quer vitimar. Enquanto diretor da Polícia Judiciária, nunca entregou uma declaração de transparência, manteve a construção da sua casa numa legalidade duvidosa e geriu a PJ com uma informalidade inadmissível durante anos. Estava débil à partida.
E ainda piorou tudo com a sua reação. Não explicou praticamente nada, refugiou-se em auto-proclamações sobre estar “do lado do bem”, e apesar de admitir alguns erros, colocou-se sempre num plano superior à política e à fiscalização. Mostrou, com alguma transparência, que convive com a informalidade na sua prática política diária, e que não se importa sobre isso. Tornou-se o alvo perfeito para atacar Montenegro.
Essa contradição entre os dois planos - o da síntese das direitas e o da política concreta - explica a divisão nas posições táticas da esquerda sobre a manutenção de Luís Neves no cargo.
Uma parte das forças da esquerda entendeu necessário defender intransigentemente o ministro por considerar valioso o seu contributo para o combate à política do Chega em geral, e à síntese da direita em particular. Outra parte percebeu que o arrastar deste caso durante meses, com uma inabilidade profunda de resposta política por parte do ministro, significam que, mesmo que se mantenha ministro da Administração Interna, Luís Neves já não tem autoridade nem credibilidade para ser travão de emergência. Pelo contrário, o ataque à sua figura tornou-se, na verdade, um instrumento da síntese das direitas, razão pela qual o Chega, a Iniciativa Liberal e os passistas o elegeram como alvo.
A moção de censura
Desse ponto de vista, a moção de censura do Chega não serviu apenas para desgastar o Governo e colocar a extrema-direita no centro do debate político. Também o fez, porque no plano da política concreta Ventura quer continuar a desgastar o PSD com os seus casos até ser a principal força de direita no país.
Mas voltemos ao plano da síntese das direitas. A moção de censura, apesar de não o parecer, fixou o ministro da Administração Interna no Governo. Criou uma situação em que quem quer a síntese da direita não perde. É um ponto de viragem qualitativo na crítica ao ministro, escalando tanto a situação que faz com que demitir o ministro da Administração Interna passe a ser visto como uma derrota total do PSD e uma vitória esmagadora do Chega, autor da moção de censura.
Então, das duas, uma. Ou Luís Montenegro demite Luís Neves, fragilizando totalmente o Governo e dando mais poder ao Chega na relação de forças entre a direita, ou mantém o ministro da Administração Interna, tornado alvo e saco de boxe permanente de toda a restante direita: dos passistas à extrema-direita, passando pelos liberais.
Se com o pacote laboral foi Montenegro que conseguiu entalar os passistas - ou comprometia o Chega e tornava-se o protagonista dessa síntese, ou o Chega rompia com o pacote e o primeiro-ministro ganhava tempo -, com Luís Neves foram os passistas que entalaram Montenegro.
O pacote caiu, a direita parte‑se. E agora?
25 de junho 2026
O passismo desavergonhado
No Expresso da Manhã do dia da moção de censura, Pedro Gomes Sanches, orgulhoso passista, assumiu que uma censura ao Governo se “justifica claramente”. Defendeu a moção de censura do Chega e deixou clara a posição dos passistas - esse grupo de intelectuais da direita que tentam operar esta síntese, deixando cair Montenegro para unir a restante direita sob uma figura sebastiânica.
Defendeu que não se deve olhar para uma moção de censura a partir dos seus efeitos (a queda do Governo), e lembrou que a queda do Governo nem obriga automaticamente a que sejam convocadas eleições – e poderia ser escrito um outro texto sobre como a queda do Governo de Montenegro sem eleições permitiria a criação de um Governo de Passos Coelho que juntasse PSD e Chega.
O colunista garantiu que “Montenegro pagará o preço por manter Neves no Governo”. Já o tinha expresso antes, num artigo com o título “ Indecente e má figura ”. Aí, aproveitou-se da inaptidão da resposta de Luís Neves aos ataques e defendeu que “o primeiro-ministro não viu o problema”, colando sempre o ministro ao chefe do Governo, e à sua credibilidade em particular, nunca à política de direita.
Aproveitou ainda para delinear a intenção de que o ministro da Administração Interna se transforme no saco de boxe da restante direita, dizendo que “nada disto corrige a violação de regras” e que a Comissão Parlamentar de Inquérito a Luís Neves, agendada pelo Chega, é de uma importância incontornável.
Curiosamente, Pedro Gomes Sanches coloca em analogia toda esta disputa. “Nós estamos perante um jogo político. Os atores posicionam-se com as posições que têm relativamente a cada assunto, com o objetivo de conquistar poder”, diz. “É isso que o partido que propôs esta moção de censura está a fazer, e é isso que o Governo na resposta que está a dar, também está a fazer”. E acrescento que os passistas, entre estes dois, sabem também o que estão a fazer.
O caso Luís Neves e a moção de censura tornaram um trunfo de Montenegro num inimigo comum para as partes da direita que querem concretizar uma síntese. O Chega ganhou espaço no imediato e um alvo para o futuro próximo, mas a longo prazo facilitou o projeto que quer subjugar Ventura sob Passos e construí-lo como seu herdeiro. A fratura hegemónica do pacote laboral reorganizou os passistas e meteu-os em ação, resumindo a síntese da direita.
Para a esquerda há uma certeza: Luís Neves está demasiado fragilizado para servir de aliado contra a síntese das direitas, e, mesmo que Luís Montenegro esteja preso ao ministro, segurar o saco de boxe dos passistas não serve uma esquerda que queira ir à disputa com a extrema-direita.
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